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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Paulo Coelho nunca foi amigo do meu pai, diz filha de Raul Seixas


AMON BORGES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Ale Manzano/Divulgação

Filha caçula do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas (foto) segue os passos do pai na música, mas atua como DJ de house music
Vivi Seixas tinha oito anos quando seu pai, Raul Seixas, morreu vítima do consumo excessivo de álcool em agosto de 1989.
"Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar", conta em entrevista ao "Guia".
Sobre Paulo Coelho, a filha caçula do "maluco beleza" diz que, "diferentemente do que as pessoas pensam, ele nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical" (leia abaixo a entrevista).
             
Filha caçula do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas (foto) 
segue os passos do pai na música, mas atua como DJ de house music
Prestes a completar 31 anos, Vivi é uma das mais de 50 personagens que deram seus depoimentos para compor o documentário "Raul, O Início, O Fim e o Meio", dirigido por Walter Carvalho.

"O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. A decadência e a morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no 'pieguismo'", diz a atual DJ, que segue os passos do pai na música, influenciada pela forma com que ele mesclava vários estilos.
"Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só. Preparei um set com algumas músicas como 'Mosca na Sopa', 'Carimbador Maluco' e 'Rock das Aranhas'. Todas com uma pegada mais moderna".


Além de Vivi e das outras duas filhas de Raul, amigos e parceiros --como Caetano Veloso, Marcelo Nova, Tom Zé e Paulo Coelho-- e quatro grandes companheiras também participam do filme, com declarações que ajudam a apresentar uma imagem da lenda do rock nacional.
Informe-se sobre o filme


ABAIXO, LEIA O BATE-PAPO COM VIVI SEIXAS:
Lenda do rock nacional Raul Seixas e sua filha caçula Vivi Seixas, que adorava a barba do pai quando criança

Lenda do rock Raul Seixas e sua filha caçula Vivi Seixas (foto), que adorava a barba do pai quando criança


Guia Folha - Qual sua avaliação sobre o documentário?
Vivi Seixas - O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. Com mais de duas horas de duração, o documentário ficou excessivamente longo. A decadência e morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no "pieguismo" --o diretor leva a empregada Dalva a revisitar o apartamento onde ele faleceu. Na verdade, ele priorizou diversas cenas com esse caráter mais subjetivo, como a dança de Elvis Presley feita por um amigo de infância de Raul ou quando vemos, por exemplo, o ator Daniel de Oliveira revelando que seu filho se chama Raul, ou até quando o jornalista Pedro Bial canta uma das músicas do ídolo.

Abordou fielmente a vida do seu pai?
A obra de Raul é maior do que caberia em apenas um filme. Há mais a ser falado, mostrado... Principalmente, em relação à criação musical.

Qual a parte que mais te emociona ou te marca no filme?
A parte final me fez lembrar quando eu estive em São Paulo no apartamento da rua Frei Caneca, três meses antes da morte dele. Fomos juntos a uma padaria pela manhã, juntos, e chorei quando ele pediu um chope. Mesmo sem saber exatamente da sua doença, eu pressenti que alguma coisa estava muito errada.

Ainda tem contato com amigos e parceiros de seu pai, como Paulo Coelho?
Paulo Coelho, diferentemente do que as pessoas pensam, nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical. Como o próprio Paulo já declarou, eram "inimigos íntimos". Mantenho contato, sim, com os amigos Rick Ferreira, Claudio Roberto, Sylvio Passos e Marcelo Nova.

Qual a música de seu pai que você mais gosta?
"Ângela" e "Lua Cheia": duas músicas que ele compôs pra Kika, minha mãe. Ela foi realmente a grande paixão do meu pai e a única que trabalhou sua obra durante todos esses anos. Pena que ela não suportou as crises de alcoolismo dele. Eu tinha 5 anos, e ele ficava constantemente internado.

O Raul tem essa fama de doido, maluco beleza. Mas como ele era em casa? Como era seu relacionamento com ele?
Diferente da fama era uma pessoa extremamente educada, caseira e amorosa. Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar.

Quando ele morreu você era pequena. Como foi assimilar a perda?
Como para qualquer criança, foi difícil para mim, mas o que me ajudou muito --e a
juda até hoje-- é ter a voz dele para eu escutar quando quiser. Isso ameniza muito a saudade.

Em relação à sua profissão: como começou? Vai tocar em alguma casa em SP? Quais os planos?
Depois de muitos anos me questionando, em 2004, resolvi assumir o meu lado musical, completamente diferente do meu pai. A house music é a minha forma de expressão. Mas nenhuma festa marcada em São Paulo. Mas adoraria tocar no D- Edge [clube da zona oeste de São Paulo].

A música de seu pai influencia no seu trabalho de DJ?
Como homenagem a Raul, preparei um set com algumas músicas como "Mosca na Sopa", "Carimbador Maluco" e "Rock das Aranhas". Todas com uma pegada mais moderna. O que me influencia é a forma que meu pai tinha de misturar vários estilos. Do baião ao tango, do rap ao forró. Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só.
Ouça o trabalho de Vivi Seixas e as versões "metamorfoseadas" no MySpace.

http://guia.folha.com.br/cinema/1070579-paulo-coelho-nunca-foi-amigo-do-meu-pai-diz-filha-de-raul-seixas.shtml

Melhores+musicas+Raul+Seixas

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fotos de ONG mostram obras da usina de Belo Monte na Amazônia



Imagens do Greenpeace revelam supressão da floresta e impacto em rio.
Norte Energia afirma que investe R$ 3,2 bi como contrapartida ambiental

Barragem construída pela Norte Energia corta Rio Xingu, na região de Altamira, no Pará. (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)Barragem construída pela Norte Energia corta
Rio Xingu, na região de Altamira, no Pará.
(Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)
A organização ambiental Greenpeace divulgou na última semana imagens feitas durante dois sobrevoos realizados na região de Altamira, no Pará, onde são realizadas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, construção polêmica do governo federal no Rio Xingu.
As fotos mostram trechos de floresta amazônica que foram suprimidos para a construção, além da movimentação de máquinas e caminhões na região.
Segundo o Greenpeace, a área já sofre com impactos da obra como o adensamento demográfico em Altamira. Levantamento feito pela ONG aponta que o empreendimento pode desalojar até 40 mil pessoas devido ao alagamento de uma área equivalente a 516 km².
A Norte Energia, empresa responsável pela construção e futura operação de Belo Monte, informou que deve investir R$ 3,2 bilhões em ações socioambientais na região, privilegiando as áreas da saúde, educação, geração de emprego, renda e segurança pública.
A companhia afirma que, embora o inventário florestal ainda não tenha sido concluído, “é possível informar que 60% da área ocupada por Belo Monte é constituída por pastagens e vegetação secundária antropizada (cobertura nativa substituída pela agricultura)".
A responsável pelas obras disse também que não haverá impacto em terras indígenas na região do Rio Xingu e que o Projeto Básico Ambiental (PBA) foi desenvolvido para Belo Monte a partir da licença ambiental concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).
Barragem construída pela Norte Energia corta Rio Xingu, na região de Altamira, no Pará. (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)Canteiro de obras da Norte Energia na região de Altamira, no Pará. (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)
Obra
A hidrelétrica ocupará parte da área de cinco municípios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a mais desenvolvida dessas cidades e tem a maior população, quase 100 mil habitantes, segundo o IBGE. Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.

Belo Monte custará pelo menos R$ 25 bilhões, segundo a Norte Energia. Há estimativas de que o custo chegue a R$ 30 bilhões. Trata-se de uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo federal.
Apesar de ter capacidade para gerar 11.200 MW de energia, Belo Monte não deve operar com essa potência. Segundo o governo, a potência máxima só pode ser obtida em tempo de cheia. Na seca, a geração pode ficar abaixo de 1.000 MW. A energia média assegurada é de 4.500 MW.
Para críticos da obra, o custo-benefício não compensa. O governo contesta diz que a geração menor evita um alagamento maior e que a energia é fundamental para o país.
Trecho de floresta que foi suprimido para construção da usina hidrelétrica. (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)Trecho de floresta que foi suprimido para construção da usina hidrelétrica. (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/04/fotos-de-ong-mostram-obras-da-usina-de-belo-monte-na-amazonia.html

terça-feira, 17 de abril de 2012

Deputado Paxiúba libera quatro milhões em emendas para municípios da região sudoeste

EMENDAS INDIVIDUAIS – DEP. DUDIMAR PAXIÚBA – 0GU/2012
MINISTÉRIO/ORGÃO
VALOR TOTAL
MUNICÍPIO
VALOR POR MUNICÍPIO
FUNASA
   R$ 750.000,00
Itaituba
Jacareacanga
Rurópolis
R$ 250.000,00
R$ 250.000,00
R$ 250.000,00
CIDADES (SEDURB)
R$ 1.000.000,00
Itaituba
Novo Progresso
R$ 500.000,00
R$ 500.000,00
TURISMO
R$ 1.000.000,00
Aveiro
Itaituba
Rurópolis
R$ 250.000,00
R$ 500.000,00
R$ 250.000,00
SAÚDE
R$ 500.000,00
Aveiro
Itaituba
Rurópolis
R$ 150.000,00
R$ 250.000,00
R$ 100.000,00
AGRICULTURA
R$ 750.000,00
Itaituba
Rurópolis
Trairão
R$ 250.000,00
R$ 250.000,00
R$ 250.000,00
TOTAL
R$ 4.000.000,00


Depois de uma reunião com técnicos e assessores, o Deputado Dudimar Paxiúba definiu o valor e também os municípios que serão beneficiados com um montante de 4 milhões de reais.
Conforme pode ser observado na planilha, foram agraciados os municípios de Itaituba, Novo Progresso, Rurópolis, Aveiro, Trairão e Jacareacanga.
Como as emendas individuais são alocadas de um ano para o outro, as populações desses municípios começam a colher frutos de um mandato verdadeiramente popular.
Postado por João Paxiúba às Terça-feira, Abril 17, 2012 

sábado, 14 de abril de 2012

Acompanhando o Deputado Federal Dudimar Paxiuba na Câmara dos Deputados


Logo Câmara dos DeputadosBoletim Acompanhe seu Deputado
Brasília, sábado, 14 de abril de 2012

Deputado(a): DUDIMAR PAXIUBA - PSDB/PAPeríodo: 31/03/2012 a 13/04/2012

PROJETOS DE LEI E OUTRAS PROPOSIÇÕES APRESENTADAS
DataProposição
04/04/12DIS 8643/2012 - 
DISCURSOS PROFERIDOS
DataHoraSumário
04/04/1215h33Descaso com a saúde dos indígenas da etnia munduruku, no Município de Jacareacanga, Estado do Pará. Apoio às reivindicações da comunidade indígena. Apelo ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de adoção de providências sobre o assunto. (Pequeno Expediente)
VOTAÇÕES
DataProposiçãoFrequência na sessãoVoto
10/04/12MPV Nº 549/2011 - DVS - DEM - expressão "medicamentos" Art. 8º PLVNão
10/04/12PEC Nº 153/2003 - 2º TURNOSim
11/04/12MPV Nº 551/2011 - DVS - PT - exp. "provenientes...público", do Art. 1º do PLVNão
11/04/12MPV Nº 551/2011 - DVS - PSDB - Emenda nº 9Sim
NOTÍCIAS VEICULADAS NOS ÓRGÃOS DA CASA 
JORNAL DA CÂMARA
11/04/12PLENÁRIO - Saúde dos índios  - Dudimar Paxiúba (PSDB-PA) manifestou solidariedade às comunidades indígenas mundurucu no Pará, que sofrem, segundo ele, com o descaso dos órgãos responsáveis no governo federal pela promoção da saúde....
Fale com o Deputado: dep.dudimarpaxiuba@camara.gov.br
Logo Boletim da Câmara dos DeputadosData provável do próximo envio: 28/04/2012.

Para alteração de opções de recebimento, cancelamento ou suspensão deste serviço, clique aqui

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Jô Soares entrevista César Eduardo Fernandes 09/04/2012


PAPO DE UTILIDADE PÚBLICA

César Eduardo Fernandes, é obstetra, ginecologista e especialista em HPV, doença sexualmente transmissível. Vai falar tudo sobre formas de contágio, prevenção, incidência na população e tratamentos. César fez mais de 20 mil partos em sua vida e é o presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

No meio da Amazônia, Fordlândia vive era de desmanche e furto à espera de tombamento


Carros são roubados e desmanchados em várias cidades do país. Mas há uma localidade no interior do Pará que está sendo despedaçada por furtos. E a coincidência é que foi criada por uma montadora de carros: a multinacional norte-americana Ford e seu fundador.

Idealizada por Henry Ford nos anos 20 do século passado, a Fordlândia não chegou a vingar como centro de produção de borracha em plena selva amazônica, mas deixou um patrimônio histórico quase inabitado para o município de Aveiro (região oeste do Pará) e desconhecido dos brasileiros. Apesar da importância dos prédios construídos pela Ford, o local não tem a devida manutenção, ainda aguarda definição sobre o processo de tombamento e sofre com ação do tempo e de vandalismo


Na última semana, após recomendação do Ministério Público Federal (MPF), a prefeitura baixou uma portaria, determinando que a administração da vila de Fordlândia notifique sempre os casos de depredação dos edifícios e casas. Para os procuradores, o município precisa atuar com mais rigor contra a destruição do patrimônio, que foi verificada em análise in loco.    

Onde estava o campo de golfe com nove buracos, que deleitava os chefes norte-americanos, serve hoje de pastagem para bois --destino semelhante aos seringais, que foram derrubados para dar lugar à grama. Já as quadras de tênis são usadas como currais das vacas.

Muitas das obras precisam de manutenção urgente. Segundo o MPF, o antigo hospital, o galpão do trapiche e as casas da Vila Americana foram os locais mais afetados e que mais precisam de atenção especial.
À espera do tombamento
A região que guarda todas as construções de um projeto audacioso, mas fracassado, está sendo estudada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que vai decidir se o local fará mesmo parte do patrimônio histórico nacional. Porém, não há prazo para conclusão do processo, que começou há pelo menos seis anos. 
“Mas até que saia a análise, a área é considerada protegida. Esse processo passa por técnicos daqui e de Brasília, e normalmente é demorado porque necessita de estudos históricos detalhados”, explicou a técnica em arquitetura e urbanismo do Iphan no Pará, Tatiana Borges.
Segundo o Iphan, o hospital e uma das casas da vila foram completamente destelhados nos últimos anos, conforme análise feita no local. “Tudo isso está sendo apurado. Tem gente que diz que as telhas foram retiradas com autorização. Tem uma parte dos galpões industriais, na área do cercado, que está desocupada. E as casas estão bem avariadas, porque ficam abandonadas, e as pessoas começam a depredar”, explicou.
Borges ainda afirmou que o município de Aveiro assinou um termo para garantir a conservação e, em contrapartida, receberá recursos federais para reformar o local. “É por meio do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] das cidades históricas, em um acordo com a prefeitura. Em caso de prédios históricos, um imóvel precisa de manutenção, restauração e proteção. Se você restaura e não fiscaliza, fica à mercê de vândalos”, disse a técnica.

Sobre a responsabilização pelos danos, o Iphan acredita que a culpa é do município que agora se comprometeu a fiscalizar a região.

“Nós ficamos fiscalizando à distância. Nosso quadro técnico é reduzidíssimo. Pedimos que as prefeituras fiscalizem, pois é muito mais fácil para eles, que estão perto, do que para nós. No caso da Fordlândia, houve esse comprometimento também do município”, afirmou.

Ciclo da borracha
O ciclo da borracha transformou a Amazônia na região mais rica do país no final do século 19, cuja síntese máxima é o suntuoso teatro Amazonas, em Manaus, com seus mármores italianos e seu entorno com ruas emborrachadas para evitar que o barulho das carruagens atrapalhasse os recitais líricos.

ONDE FICA O PARÁ FORDISTA
Mas a situação mudou quando o inglês Henry Wickman inaugurou a “biopirataria” e levou sementes e mudas para as colônias britânicas na Ásia. Na primeira década do século 20, os barões da borracha não conseguiam fazer mais frente ao preço barato do látex extraído das plantações na Malásia, Sri Lanka e Indonésia.
Irritado com o quase monopólio dos britânicos em relação ao produto que garantia os pneus de seus veículos, Henry Ford imaginou reproduzir no Pará as fazendas de Hevea brasiliensis nos moldes asiáticos e não do jeito original (espalhada pela floresta, o que obrigava o seringueiro a percorrer longos caminhos).
Idealizador da revolucionária linha de montagem, que reinventou o capitalismo, Ford queria controlar toda a cadeia de produção. Nos EUA, ele tinha minas de ferro e carvão, que iam para suas metalurgias para forjar as peças automotivas. Por isso, não é de se estranhar que ele quisesse produzir a matéria-prima para seus pneus e todas as partes emborrachadas de seus carros.
O homem mais rico do mundo à época só não contava que a seringueira sofria com pragas de fungos e parasitas em seu local original (o que não acontecia na Ásia). E uma planta ao lado da outra só aumentava a velocidade da infestação.
A produção em Fordlândia e Belterra nunca chegou a 1% do total mundial, mesmo durante a ocupação japonesa das plantações no Sudeste Asiático. E a empresa ainda sofreu com greves, motins, oposição dos antigos barões paraenses e dos políticos locais --inclusive da prefeitura de Aveiro, que hoje tem que zelar pelo que restou da aventura fordista.
Fordlândia saiu do papel em 1927, mas, após pestes nas plantações e motins de seus trabalhadores, ganhou em 1934 uma cidade-irmã: Belterra, na outra margem do Tapajós, um dia e meio rio acima. Esse projeto também não foi bem-sucedido, mas, pelo menos, o local ficou como sede de um município, e as edificações por lá estão preservadas. A Ford abandonou seus empreendimentos brasileiros em 1945, que ficaram a cargo do Ministério da Agricultura por mais uns anos até caírem no descaso.
Em 1945, o latéx sintético finalmente ficou comercialmente viável graças ao acordo dos EUA com a Arábia Saudita, que passou a vender barato o petróleo que substituía a seiva amazônica como base da borracha. Em 1951, o país das seringueiras vive um momento revelador do fim de um ciclo econômico: no porto de Santos chega o primeiro carregamento de borracha vinda de Cingapura.
A triste coincidência histórica é que atualmente Detroit (EUA), conhecida como “Motor City”, também vive um processo de deterioração que acompanha toda indústria automobilística norte-americana. Vários prédios que foram da Ford na região de Michigan estão em ruínas como na brasileira Fordlândia.

domingo, 25 de março de 2012

Ensinamentos de pensadores clássicos estão sendo usados como um guia para viver melhor


Ensinamentos de pensadores clássicos estão sendo usados como um guia para viver melhor — e prometem revolucionar até mesmo a terapia. Entenda como esses sábios do passado podem nos ajudar com os problemas de hoje

por Tiago Cordeiro | Ilustrações: André Bergamin
Confira a seguir um trecho da reportagem de capa que pode ser lida na íntegra na edição da revista Galileu de abril/2012, já nas bancas.

Editora Globo
Não faz muito tempo que ler sobre filosofia era visto como coisa de gente que pensa demais, que vive em um mundo paralelo. Mas, desde o começo da última década, uma nova geração de pensadores vem se dedicando a popularizar a disciplina. Nomes como o suíço radicado em Londres Alain de Botton, o britânico Trevon Curnow e o americano William Irvine têm mostrado que pensadores das antigas podem ajudar você com eternas questões da humanidade, claro, mas também com problemas contemporâneos, como a ditadura da magreza ou o excesso de estímulos provocado pela internet.

A proposta tem feito sucesso. Basta um passeio por livrarias para constatar que a filosofia está na moda. Nas listas de mais vendidos há volumes como Aprender a Viver: Filosofia para os Novos Tempos, de Luc Ferry, e The Guide to Good Life (O Guia para a Boa Vida, sem edição brasileira), de Trevon Curnow. No Brasil, O Livro da Filosofia, de Will Buckingham, e Nietzsche para Estressados, de Allan Percy, estão no top 10 de não ficção. “O momento é propício. Vivemos em um mundo de acúmulo de informações e falta de significados. As pessoas estão se vendo forçadas a pensar filosoficamente para encontrar um sentido na vida”, afirma o australiano Peter Singer, professor de filosofia da Universidade de Princeton, nos EUA, e autor de Ética Prática.

Essa nova onda se baseia em uma antiga tradição da filosofia que reflete sobre a vida e serve de guia para a nossa existência — em vez de se preocupar com a definição de conceitos, como justiça, ética e verdade. Sábios da Antiguidade, como Sócrates, Sêneca e Epicuro, e alguns mais próximos na história, como Schopenhauer (1788- 1860) e Nietzsche (1844-1900), trabalhavam nessa linha de filosofia para o dia a dia, que renasce também em palestras, cursos e até em uma nova forma de terapia.

Nos EUA e na Europa, já existe a chamada terapia filosófica. Em consultas, o paciente fala livremente sobre sua vida, dificuldades e interesses, e o filósofo analisa o discurso e tenta mostrar as lições que pensadores como Platão e Aristóteles têm a apresentar no caso. Os profissionais são credenciados por associações como a Sociedade Americana para Filosofia, Aconselhamento e Psicoterapia, que tem 300 terapeutas licenciados — há 10 anos, eram 90. “As sessões ajudam com um problema que está na raiz de muitas crises de depressão e ansiedade hoje: o excesso de expectativas em relação à felicidade e ao amor”, diz Lou Marinoff, analista filosófico e autor de Mais Platão, Menos Prozac!.

Mesmo quem não pretende trocar Freud e Lacan por Sócrates ou Nietzsche tem encontrado espaço para filosofar. As instituições que oferecem cursos livres na área só se multiplicam. Com promessa de chegar ao Brasil neste ano, desde 2008 funciona em Londres a Escola da Vida, fundada por Alain de Botton, um dos expoentes da popularização da filosofia. Autor do novo livro Religião para Ateus e famoso por seu Consolações da Filosofia, de Botton mostra como as ideias de pensadores de outros tempos podem ajudar em questões atuais. Sua escola segue a proposta, com palestras e cursos sobre dieta vegetariana, equilíbrio entre trabalho e vida, como ser cool e as diferenças entre amizade real e virtual. “A filosofia é um modo de pensar. Pode descrever qualquer assunto — sexo, bebês, dinheiro, esquis.” 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Benedito Nunes inspira trabalhos acadêmicos na UFPA

ufpa-logo
Um dos maiores nomes da filosofia brasileira, o professor Benedito Nunes continua inspirando trabalhos acadêmicos na Universidade Federal do Pará (UFPA). O prêmio que leva seu nome e esse ano está na sua segunda edição, está com as inscrições abertas até o dia 30 de abril.



O Prêmio Professor Benedito Nunes é dirigido a pesquisadores e programas de pós-graduação dos Institutos de Letras e Comunicação (ILC), de Ciências da Arte (ICA) e de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA). O autor da tese premiada receberá cinco mil reais e terá seu trabalho publicado pela Editora da Universidade.

Inscrições – Para se inscrever, os candidatos devem comparecer às secretarias de seus institutos apresentando RG, CPF, comprovante de residência, comprovantes de defesa e aprovação da tese, três cópias dela, comprovante de matrícula Siape, caso sejam servidores da Universidade, e o formulário de inscrição anexado ao Edital. Só podem concorrer aqueles que defenderam as suas teses no período de novembro de 2009 a 31 de dezembro de 2011.

Veja a matéria completa: http://migre.me/8gbcm

Confira o edital: http://migre.me/8gbNj

sexta-feira, 9 de março de 2012

HOMENAGEM À REDE GLOBO POR “A VIDA DA GENTE”

                               HERÁCLITO EM A VIDA DA GENTE.

“A vida da gente” foi mais que uma novela, foi um livro dos bons posto na tela como um quadro clássico. Ao final, deu show em todas as cenas. E para me presentear, a Rede Globo fez uma das mais belas homenagens à filosofia: o ator Leonardo Medeiros, na pele do professor Lourenço, fez o milagre de se por em sala de aula e alinhavar Heráclito e Guimarãens Rosa de modo perfeito. Digo perfeito em todos os sentidos. É muito difícil os atores acertarem em cena de escola. O que faz um professor em sala de aula é às vezes incompreensível, e não raro as aulas ficam forçadas no teatro, TV e até cinema. Em geral, são as piores cenas, mesmo para atores tarimbados. Medeiros foi impecável. Além disso, pela primeira vez em novela dos últimos tempos, a filosofia entrou de maneira correta, casada com a literatura e de acordo com a história da novela. Nem Heráclito e nem G. Rosa desautorizariam a cena. Se há um fragmento de Heráclito que se presta a pseudo comentários, é o do rio. Mas a Globo não errou. Até nisso o texto produzido foi comentado com esmero. A Globo mostrou que até filosofia ela faz bem quando quer. “A vida da gente” deve ser exibida no currículo de cada ator e da direção e tudo o mais com o maior orgulho. 

O Ibope do fim da novela foi o mais baixo do horário das 6 em vários anos. Infelizmente.
[Professores de Filosofia, não deixem de usar a cena sobre Heráclito - é aquilo lá mesmo] (Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ)