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terça-feira, 27 de abril de 2010

VIGILÂNCIA ELETRÔNICA - Governo planeja soltar cerca de 80 mil presos menos perigosos, que deverão ser monitorados por tornozeleiras

Publicada em 25/04/2010 às 23h49mO Globo
BRASÍLIA - Depois de longos debates no 12° Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, em Salvador, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) decidiu elaborar um projeto de monitoramento eletrônico que pode resultar na soltura de cerca de 80 mil presos, quase um quinto da população carcerária brasileira. O monitoramento poderá ser feito pela tornozeleira eletrônica, que permite saber a localização de quem a usa. O governo entende que o controle de criminosos de baixa periculosidade fora das cadeias é uma das poucas alternativas para desafogar os presídios no país. O número de detentos aumenta a uma taxa de 7,3% ao ano, e, para o Depen, não há investimento em ampliação da estrutura prisional que dê conta da demanda. É o que informa reportagem de Jailton de Carvalho e Fábio Fabrini publicada na edição do GLOBO de segunda-feira.

A cada ano, o déficit carcerário aumenta em quatro mil vagas, e a tendência é a deterioração do quadro, já crítico, mesmo com o crescente aporte de recursos federais. Pela proposta em estudo, o monitoramento eletrônico poderia beneficiar presos provisórios (sem condenação) que não tenham posto em risco a vida ou a integridade física das vítimas. O diretor do Depen, Airton Michels, entende que o benefício poderia ser estendido a condenados, que, sendo primários e de bom comportamento, teriam a progressão de regime antecipada em um ano.

Numa tentativa de minimizar o drama, o governo deve liberar, semana que vem, R$ 470 milhões para a construção de centros de detenção provisória, que vão abrigar 32 mil presos que hoje se amontoam em delegacias. Segundo o Depen, a situação destes presos é, em muitos casos, mais degradante que nos presídios. As delegacias estão abarrotadas com 58 mil pessoas não condenadas, um número bem superior ao de vagas (15 mil). Mas as dificuldades não são apenas financeiras.
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/04/25/governo-planeja-soltar-cerca-de-80-mil-presos-menos-perigosos-que-deverao-ser-monitorados-por-tornozeleiras-916428380.asp

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Lista de amigos

O tempo passa, você se distancia da infância e da juventude, vem o amadurecimento, passamos a ver a vida de forma lógica onde os nossos passos são controlados pela disciplina imposta pela sociedade, onde as normas e regras estão acima da nossa deliberalidade. Também, se assim não fosse, viveríamos em uma anarquia constante. É o mal necessário!

Abdicamos de muitas coisas, nos mudamos da cidade que mais amamos, nos afastamos de pessoas queridas, começamos a perceber o ciclo da vida até o inevitável.

Recentemente perdemos grandes amigos, como Nelson Furtado, Edvaldo Amorim e outros que não temos notícias. A música “Lista” de Oswaldo Montenegro retrata todo o sentimento sobre essa reflexão:

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ana Júlia recebe prefeitos que vieram cobrar da AL os R$ 366 milhões

20/04/2010 14:25
Da Redação
Secretaria de Comunicação

Prefeitos ouvem da governadora Ana Júlia que um terço dos recursos do empréstimo do BNDES serão aplicados em convênios com os municípios

Cerca de 60 prefeitos de todas as regiões do estado foram recebidos pela governadora Ana Júlia Carepa na tarde desta terça-feira, no auditório do Centro Integrado de Governo. Os prefeitos vieram à capital, mobilizados pelas associações de municípios, para reunir com o presidente da Assembléia Legislativa, Domingos Juvenil, e cobrar celeridade na votação do projeto de autorização do empréstimo de R$ 366 milhões.

Os recursos constantes no pedido de autorização de empréstimo PL 259/2009, em tramitação e pronto para votação na Assembléia Legislativa, foram destinados pelo governo federal para compensar as perdas de arrecadação dos estados decorrentes da desoneração fiscal determinada pelo presidente Lula para combater a crise financeira mundial em 2009.

A governadora recebeu os prefeitos e comprometeu-se a aplicar um terço dos recursos oriundos deste empréstimo - cerca de 122 milhões de reais - exclusivamente para investimentos conveniados com as prefeituras. Coerente com a postura do seu governo, Ana Júlia assegurou que os recursos serão distribuídos às prefeituras, independente da filiação partidária dos prefeitos.

A governadora anunciou ainda aos prefeitos a inauguração do novo parque radioterápico do Hospital Ophir Loyolla, ocorrida na manhã desta terça-feira. E fixou a data de entrega das patrulhas mecanizadas destinadas à recuperação das rodovias vicinais para o próximo dia 30 de abril, no estádio do Mangueirão. Ela anunciou ainda a doação de combustível para as prefeituras em parceria com o INCRA.
http://pa.gov.br/noticia_interna.asp?id_ver=61804

domingo, 18 de abril de 2010

Jacob do Bandolim

JACOB PICK BITTENCOURT, nasceu em 14/02/1918, no RJ. Filho único, do capixaba Francisco Gomes Bittencourt e da polonesa Raquel Pick, morava na casa de n° 97, da Rua Joaquim Silva, na Lapa, onde, sem ter muitos amigos e com restrições para ir brincar na rua, costumava ouvir um vizinho francês cego tocar um violino.
E esse foi o seu primeiro instrumento. Ganhou-o da mãe aos 12 anos, mas, por não se adaptar ao arco do instrumento, passou a usar grampos e cabelo para tocar as cordas. Depois de várias cordas arrebentadas, uma amiga da família disse; "..o que esse menino quer é tocar bandolim..". Dias depois, Jacob ganhou um bandolim, comprado na Guitarra de Prata. Era um modelo "cuia", estilo napolitano, e que segundo o próprio Jacob: " ...aquilo me arrebentou os dedos todos, mas eu comecei...".
Não teve professor, sempre foi autodidata. Tentava repetir no bandolim trechos de melodias cantaroladas por sua mãe ou por pessoas que passavam na rua. Aos 13 anos, da janela de sua casa, escutou o primeiro choro, É DO QUE HÁ, composto e gravado por Luiz Americano. Era tocado no prédio em frente, onde morava uma diretora da gravadora RCA. "Nunca mais esqueci a impressão que me causou", afirmaria Jacob, anos mais tarde.
Raramente saia à rua. Seu negócio era ir a escola e tocar o bandolim. Freqüentava, após a volta das aulas, a loja de instrumentos musicais Casa Silva, na rua do Senado, n° 17, onde ficava palhetando os bandolins.
Quer saber mais, clique aqui: http://www.jacobdobandolim.com.br/jacob/acervo.php
Dentre os choros compostos por ele tem um chorinho que me deixou perplexo com a sonoridade e musicalidade. Esse choro chama-se “Santa Morena” aqui interpretado por Dudu Maia (bandolim de 10 cordas), Douglas Lora (Violao), Alexandre Lora (Pandeiro) - Caraiva, Bahia, Brasil, Jan 2005.   
 

domingo, 11 de abril de 2010

Texto extraído da coluna de Dora Kramer no Estadão de 13/03/2010.

Em artigo publicado no Estadão pelo escritor cubano Carlos Alberto Montaner, reproduz definição sobre o presidente Lula que ouviu de um presidente latino-americano.

É a seguinte: "Esse homem é de uma penosa fragilidade intelectual. Continua sendo um sindicalista preso à superstição da luta de classes. Não entende nenhum assunto complexo, carece de capacidade de fixar atenção, tem lacunas culturais terríveis e por isso aceita a análise dos marxistas radicais que lhe explicam a realidade como um combate entre bons e maus."

Segundo Montaner, o comentário foi feito a propósito da perda de confiança internacional provocada pelo alinhamento brasileiro a governos autoritários.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

De olho nas eleições 2010: desenvolvimento pela efetivação de direitos

Achei oportuno estar socializando o texto abaixo, já que estamos a sete meses das eleições que elegerão os nossos governantes:

"Avanço econômico sem transformação social não levará ao desenvolvimento do país. Esta deve ser a linha política de um novo governo. O próximo presidente - ou presidenta - da República precisará perseguir uma concepção contemporânea e democrática de desenvolvimento caso queira fazer o Brasil avançar para uma nova etapa da sua história. O desenvolvimento brasileiro para o século XXI deve efetivar os diretos humanos, portanto, colocar a dignidade humana no centro do plano estatal".

Este o trecho inicial elaborado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) sobre o período eleitoral que se aproxima no Brasil.

Para ler o texto na íntegra, vá em http://www.inesc.org.br/

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Da Marujada de Quatipuru ao projeto de pesquisa

O que me move? O que gera o movimento em mim? O que me desloca de um estado inicial para um estado, tempo/espaço, outro? Não sei se posso responder. Ainda não racionalizo bem. Intuo possibilidades, crio histórias, canções e projetos.

Opto agora por tentar desenhar o caminho do meu movimento em direção aos mascarados da Marujada de São Benedito em Quatipuru, o fazendo sem referência teórica alguma, buscando relacionar/racionalizar o meu próprio caos de referências pessoais, entre pessoas, livros e espetáculos que me cruzaram.

Tentando relembrar alguma coisa que eu li sobre o teatro grego, no início do meu curso de Letras, no comecinho da minha empreitada rumo à descoberta do teatro em mim, se não me falha a memória, entusiasmo é ter deus dentro de si. O entusiasmo, se não estou enganado, está associado a Dionísio, provavelmente o deus mais subversivo, controverso e ambíguo do panteão grego. Nos cultos a Dionísio, dizem, dava-se vazão aos prazeres num sentido religioso de estabelecimento da verticalidade. No riso e no gozo, aquelas pessoas distantes, supostamente, em êxtase e entusiasmo atualizavam o sentido da vida com festa e arte.

É assim em toda festa de família na minha casa, comemos, bebemos, cantamos e atualizamos a memória de nossos ancestrais. Então rimos, contamos aquela história engraçada do tio Roberto e, às vezes, até choramos a saudade do vovô, enfim, enchemos nossas vidas de deus, com festa e arte.

Em casa eu aprendi a valorizar o encontro e o estar junto das pessoas que amo, e aprendi a fazê-lo cantando, tocando, dançando, rindo e contando histórias. Para mim, é aí que começo a me interessar pelo teatro, mas não o “teatrão” como a gente fala em Belém, ou o “teatro ortodoxo” como eu ouvi de um professor outro dia. O teatro que arde em mim é um teatro de encontro e celebração, teatro imaginário, um teatro festivo em que haja toque, abraço, e entusiasmo. Assim como aprendi em casa. Assim como aprendi com os Palhaços Trovadores, com o Grupo Verbus, com o Grupo Junino Pássaro Tem-Tem, com o Cordão de Bruta Flor, com os mascarados da Marujada de São Benedito em Quatipuru.

Emprestando irresponsavelmente a noção de ti, a busca/prática de uma ancestralidade festiva é o que me move. É o que gera movimento em mim, poeticamente e literalmente. Minha chegada em Quatipuru teve um sentido religioso extremo. Religioso no sentido de uma das interpretações etimológicas da origem latina em religare, ou seja, religar, re-estabelecer o contato do homem com a verticalidade, e, em mim, uma potente metáfora do sentido da arte na vida, o entusiasmo. Minha experiência na Marujada de São Benedito em Quatipuru, somando os dias, dever contar uma semana, mas reverbera em mim sempre. Isso é real, mesmo que a minha memória da festa seja uma criação pessoal, assim como toda memória. Algo aconteceu nesse encontro e eu não sei bem o quê. Sei que hoje aprendi que se deve ter um São Benedito na cozinha, e aprendi também que ele gosta de café, quente e preto, e eu faço o gosto do santo, porque o tambor que eu ouvi tocar em Quatipuru na festa dele ressoou e ressoa no meu peito.

Quero logo que chegue dezembro para que eu possa estar lá para ver de perto, mais perto, de dentro, o quanto for possível. Quero compreender que processo é esse de relação com a verticalidade que se dá pelo corpo, pelo corpo que dança, o corpo que come, que bebe, o corpo cômico, grotesco, risível, que atualiza uma ancestralidade festiva, e que reverbera em mim. Eu que, supostamente, deveria estar distante, observador, etnocenólogo, mas que estou imerso, perigosamente envolvido, ou com as graças de São Benedito envolvido, entusiasmado, afinal eu também sou artista, e não posso conceber processo criativo algum sem um ir e vir entre razão e intuição, entre o meu Dionísio na rua e o meu Apolo que escreve em casa e interpreta vias do sublime, da beleza da vida e da arte.

Thales Branche Paes de Mendonça
Licenciatura em Letras – UFPA
Aluno de Mestrado UFBA